Fim do Elo7 e as incertezas de vender artesanato na internet

A imagem apresenta o comunicado publicado no site do marketplace de artesanato Elo7, o texto de despede e explica que não será mais possível a compra e venda dentro da plataforma, agradece e inclui um botão que direciona para gerenciar os últimos pedidos dos compradores.
Comunicado do site do Elo7

Nesta última segunda (11), os vendedores — que incluíam pequenos artesãos dos mais variados nichos, crocheteiras, tricoteiras, bordadeiras, laceiras, costureiras, papeleiras de personalizados, scrapbookers, etc — do Elo7 foram pegos de surpresa ao entrar no site para conferir as encomendas e se depararam com um simples comunicado anunciando o fim da empresa, sem nenhum aviso prévio para que ele se preparassem. Nada, niente, um mero tchau e acabou. E claro, gerou muito burburinho nas redes sociais, foi o assunto da semana nos grupos de artesanato. Também fez muita gente dar mais um puxão de orelha sobre aquele velho conselho de não depender de plataformas de terceiros para vender, mas tem uma coisa que poucos falam a respeito: os custos de criar, manter um site próprio e desconhecimento técnico pesam muito, não é só uma escolha, mas a realidade difícil de milhares de pessoas (em sua grande maioria mulheres) que vivem do trabalho manual.


Foto mostra mulher de cabelos pretos curtos bordando um milagrito, coração de fogo com forte significado cultural no folclore mexicano
Viva o artesanato. Foto: Sofia Nuñez.

O trabalho feito à mão sempre muito desvalorizado, e por isso os marketplaces voltados para esse mercado sempre foram muito escassos, de plataformas nacionais que também se encerraram desse segmento, vale citar Airu (2011-2015), Tanlup (2010-2019) e Iluria (2012-2025). Para os "órfãos" do Elo7, alguns citam como alternativa migrar para o gringo Etsy e a brasileira Vitrine Artesanou. Há também quem incentive ir para marketplaces grandes como Mercado Livre, Amazon e Shopee. Porém, nesses shoppings virtuais há a famosa "guerra de preços", que para quem cria seus próprios produtos, fica difícil competir com quem fabrica em grandes tiragens e quem opta por pagar para trabalhar. Convém avaliar os prós e os contras de cada um.


Em um mundo cada vez mais artificial, onde as coisas estão cada vez mais automatizadas, a informação corre, as tendências surgem e morrem em uma velocidade surpreendente, a manualidade e criatividade humanas são uma verdadeira resistência. Artesanato carrega memória ancestral, é aquilo que permanece e pode ser apreciado pela futuras gerações. Mas, é preciso saber com quais armas lutar, adquirir conhecimento é, com certeza, a principal delas. Lidar com as plataformas como uma loja alugada em um shopping center é a mentalidade que temos que ter. Se o e-commerce X fechar, eu tenho como vender sem esse espaço virtual? Se o Instagram acabar, como eu divulgo minhas produções? Se o WhatsApp acabar, eu tenho como alcançar minha clientela sem essa ferramenta de comunicação? Esses questionamentos devem povoar a mente do pequeno empreendedor artesão para que ele tenha um plano B, e se possível C, D, E...